quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Mato Grosso do Sul comemora Dia Mundial da Síndrome de Down com Dança e Capoeira

Mato Grosso do Sul comemora Dia Mundial da Síndrome de Down com Dança e Capoeira
Por Agora MS
21 de março de 2007
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Na Foto Cadeirante jogando Capoeira na APAEO Dia Mundial pela Síndrome de Down, comemorado dia (21/03), será marcado por atividades de conscientização e disseminação do conhecimento da síndrome em Campo Grande (MS). Para celebrar a data, Uma Rede de Supermercados em parceria com a Escola de Desenvolvimento Especial Juliano F. Varela, especializada em acolher portadores da Síndrome de Down, realiza pela primeira vez na Capital uma festa especial com apresentações de danças e distribuição de folders educativos.

A coordenadora pedagógica da escola, Roberta Navarrete Ribeiro, explica que na ocasião cerca de 80 alunos da Escola Juliano Varela apresentará ao público campo-grandense habilidades na capoeira e na dança do ventre. “Eles também estarão entregando folhetos informativos sobre as atividades desenvolvidas pela Escola Juliano Varela e sobre a importância da inclusão social”, ressalta a coordenadora.

Atualmente, a Escola Juliano Varela atende cerca de 120 alunos com os programas de estimulação precoce, educação infantil e ensino fundamental, atividades extras curriculares, como a capoeira, educação no trânsito e inserção no mercado de trabalho, além do grupo de dança formado pelos alunos da escola. Ela é mantida através de doações e de convênios com o governo federal, estadual, municipal e doações de empresas e particulares.
Síndrome de Down

O Dia Mundial da Síndrome de Down foi escolhido pela Associação Internacional Down Syndrome International, em alusão aos três cromossomos no par de número 21 (21/3) que as pessoas com síndrome de Down possuem. A síndrome de Down não é um defeito nem uma doença. É uma ocorrência genética natural, que no Brasil acontece em 1 a cada 700 nascimentos e está presente em todas as raças. Por motivos ainda desconhecidos, durante a gestação as células do embrião são formadas com 47 cromossomos no lugar dos 46 que se formam normalmente.
O material genético em excesso (localizado no par de número 21) altera o desenvolvimento regular da criança. Os efeitos do material extra variam enormemente de indivíduo para indivíduo, mas pode-se dizer que as principais características são os olhinhos puxados, o bebê ser mais molinho e o desenvolvimento em geral se dar em um ritmo mais lento. Com apoio para seu desenvolvimento e a inclusão em todas as esferas da sociedade, as pessoas com síndrome de Down têm rompido muitas barreiras.
Em todo o mundo, e também aqui no Brasil, há pessoas com síndrome de Down estudando, trabalhando, vivendo sozinhas, escrevendo livros, se casando e até chegando à universidade.

http://www.agorams.com.br
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Capoeira é aliada no tratamento de deficientes físicos em S. José

São José dos Campos
Entidades de São José dos Campos que cuidam de portadores de deficiências múltiplas estão adotando a capoeira como método alternativo de tratamento para seus pacientes. O projeto "Capoeira para Pessoas com Necessidades Especiais" desenvolvido há seis anos pelo grupo Caxinguelê atende a oito instituições e cerca de 110 alunos na cidade.

O exercício, além de melhorar a coordenação motora e as condições musculares dos alunos, ainda promove a socialização e desperta a auto-estima, segundo análise de especialistas.

Na Comunidade Francisca Júlia, onde 40 pessoas praticam capoeira, foi possível reduzir a quantidade de medicamentos por conta da melhora nas condições psíquicas dos pacientes.

"É claro que não há como substituir os remédios porque existe um problema neurológico. Mas a capoeira ajuda na recuperação do paciente e faz com que o cérebro saia da letargia e seja obrigado a aprender", explicou a professora de educação física do hospital, Zélia Cristina dos Santos.

A capoeira tem efeito diferenciado para cada tipo de deficiência, de acordo com o professor Marcelo Ribeiro dos Santos, o Marajó, que cooderna o projeto com um grupo de mais 11 amigos.

Segundo ele, no caso dos deficientes visuais, por exemplo, a intenção dos exercícios é desenvolver o tato e a percepção do som. Nos que possuem problemas mentais, o objetivo é melhorar a coordenação motora.

AMIZADES - Na Sorri de São José, o paciente Hermes Arruda, 34, que possui deficiência mental leve, explica que a capoeira estimula o corpo e o ajuda a fazer amizades. "Fiquei mais animado e mais rápido no trabalho também. A capoeira não faz mal e praticar esporte é saudável", confirma.


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TRABALHO PORTADORES

SAÚDE & CAPOEIRA

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A capoeira traz muitos benefícios ao praticante pois a medida em que o capoeirista mais pratica essa nossa arte ele mais se sincroniza com os movimentos preparando gradativamente seu corpo para essa luta. Além da parte física a capoeira é um esporte que conta com a musicalidade que cativa o praticante. É muito oportuno lembrar que no início da prática o desportista se vê deslumbrado mediante um tão vasto universo de movimentos a serem praticados e devido a isso e aos movimentos iniciais serem mais simples o novo capoeirista evolui rapidamente se empolgando com a prática deste esporte pelo menos até seu primeiro ano de treino, quando os movimentos vão se tornando cada vez mais complexos e sua evolução se torna visualmente mais lenta.

É devido a todas estas vantagens que o novo capoeirista se impressiona e a capoeira torna-se como um vício que neste instante pode assumir uma lacuna importante na vida da criança, jovem e adolescente. Essa lacuna é rapidamente preenchida pela prática da capoeira evitando a ociosidade que de um modo geral é ruim pois no tempo vago que o adolescente procura ou é na maioria das vezes induzido a prática de atividades negativas a sua evolução como cidadão e ser humano. Para as crianças deficientes é um excelente modo de introduzí-las a sociedade devido a sua posição no grupo de capoeira por sua graduação e sua aceitação pelos outros componentes do grupo. O deficiente mais que qualquer um sofre uma evolução psicomotora incrível e sente-se confortado por sua importância como um componente de um todo que seria o grupo de seus novos amigos, do grupo de capoeira. Para a criança carente e de rua que em sua maioria aprendeu em toda a sua vida praticamente a violência devido ao excesso de ociosidade, a capoeira vai preencher este tempo livre, trazer nova perspectiva de uma futura profissão e consequentemente um lugar na sociedade além de mostrar através do relacionamento dos componentes de seu novo grupo de capoeira a amizade, o amor, o companheirismo e na pior das hipóteses a tolerância. É por isso que cada vez mais os capoeiristas se conscientizam que a violência só denigre nossa arte capoeira e que um dos bens que esta luta nos traz a saúde é o bom relacionamento com outras pessoas através de um sorriso, um abraço ou um aperto de mão que muitas vezes nunca ocorreriam, devido a distância social, econômica e cultural de muitos dos componentes de um grupo de capoeira.

A prática do esporte como a capoeira gera aumento da produção de endorfina (substância própria do nosso corpo) que reduz o efeito analgésico, excitante e tranquilizante estimulando sempre a constante prática do exercício. Diferente dos outros esportes anaeróbicos, além da hipertrofia muscular, associado a isso, a prática da capoeira aumenta a flexibilidade e alongamento da musculatura, trazendo agilidade ao praticante. A capoeira também gera uma melhora da "performance" cárdio-respiratória, desenvolvendo a musculatura cardíaca e aumentando a capacidade pulmonar, ou seja gerando uma maior resistência aeróbica ao praticante.
A prática desta luta deve ocorrer com certa cautela a partir de simples práticas profiláticas a contusões e problemas mais sérios. Isso pode ocorrer através de prévias avaliações físicas feitas por um médico para detectar patologias em potencial que podem se agravar. É muito importante também existir o estímulo do professor e mestre de capoeira da prática do aquecimento e alongamento antes de se iníciar o treino da capoeira propriamente dita.

A capoeira é um esporte completo devido a tudo descrito anteriormente no texto que pode ser resumido em duas palavras: sincronia e equilíbrio de todas as funções vitais que é sempre estimulado pela prática deste esporte. O capoeirista para aprender um novo golpe ou movimento precisa desenvolver o uso sincronizado de vários grupos musculares simultaneamente o que vai viabilizar o uso destes também em práticas corriqueiras no dia a dia do praticante diferentemente do praticante de musculação que trabalha isoladamente cada função muscular. Por outro lado, deve-se ter muito cuidado pois a prática indevida pode gerar lesões musculares bem como articulares, muitas vezes irreversíveis que podem acarretar prejuízos ao praticante pelo resto da vida.

CAPOEIRA SEM FRONTEIRAS

Escrito por: Fernando Cássio Orso Alves - Monitor Atrazado,em:20-02-2006 23:00
Acessos: 2142




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Em uma destas voltas ao mundo na Rod@ Digital, encontrei um video sugerido por um amigo cujo título por sí só já fala tudo... (Capoeira, vivendo sem barreiras) porém é preciso assistir ao video para sentir a verdadeira força e a emoção da superação, da alegria de viver... da CAPOEIRA...

Dentro deste espírito fica a sugestão do video: Capoeira, vivendo sem barreiras e para uma maior compreensão deste tema temos uma seção totalmente dedicada a Capoeira sem Fronteiras, a Capoeira para Portadores de Necessidades Especiais.

Abaixo a matéria que deu ínicio a esta seção em Fevereiro de 2006.

Meus agradecimentos a todos que lutam e trabalham com estas fantasticas pessoas...


Aqueles que conhecem a capoeira, sabem do que ela é capaz. A capoeira é jogo, luta, dança, brincadeira e filosofia.
Como diz Mestre Paulo, “... capoeira é o único esporte que tem a sua própria música. É a única luta em que o homem luta com a mulher e o velho com a criança”. Além disso, como diz Mestre Mão Branca, “... os opostos se atraem, o rico e o pobre, o preto e o branco”.

Não só eu, mas muitos outros capoeiristas acreditam que a capoeira é mágica, e a sua maior magia esta na brincadeira de forma lúdica e principalmente pelo seu processo de inclusão.


Ao ouvir falar em inclusão, a primeira coisa que nos vem na mente é de um rico abraçando orgulhosamente um pobre, ou ainda, um negro recebendo o agradecimento de um branco. Hoje existem alguns mestres e professores de capoeira, fazendo mais pela capoeira. Fiquei encantado ao ver na edição N° 31 da revista PRATICANDO CAPOEIRA, a foto de um capoeirista fazendo um peão de cabeça, esse capoeirista tem as duas pernas e o braço direito amputados. Então aproveito para parabenizar o Mestre Alemão e o Mestrando Anghola por este trabalho.

Existem muitos outros capoeiristas fazendo esse tipo de trabalho, é o caso do grande Mestre ceará de Florianopolis – SC e ainda do Monitor Cascavel também faz um trabalho em Florianópolis – SC. Eu atualmente, sou Monitor de Capoeira e já estou fazendo um trabalho seguindo a mesma linha de raciocínio.

A pouco mais de 1 (um) ano, comecei a dar aula de educação física particular e voluntariamente para um aluno cadeirante. Após assistir uma palestra com Steven (da Associação Desportiva para Deficiente), passei a me interessar mais por esse assunto, então iniciei esse trabalho com esse aluno cadeirante, e além de outras modalidades tradicionais, procurei adaptar a capoeira para cadeira de rodas.
Hoje, esse aluno (Bira), é um dos únicos capoeiristas de Santa Catarina a jogar capoeira na cadeira de roda, isso é motivo de muito orgulho, atualmente venho realizando trabalho com alunos deficientes mentais na APAE de minha cidade, tenho poucos alunos praticando capoeira, mas é notável o resultado. No futuro ainda pretendo fazer um trabalho de capoeira para deficientes visuais, assim como Mestre Mancha vem fazendo em sua cidade.

Não estou aqui para me promover com este assunto, muito pelo contrário o que quero dizer a todos, é que não tive nenhum curso específico que me ensinasse uma maneira que deveria trabalhar com alunos com necessidades especiais. O que foi preciso, necessariamente de calma e observação dos movimentos. Um paraplégico não tem movimento de membros inferiores, porém ele poderá fazer maior movimentação com os braços, e ainda usar a própria cadeira como seu corpo. No meu caso tento mostrar para meu aluno que o apoio dos pés pode representar os pés, quando esse vier em movimento circular tocando em minha perna esta simbolizando uma rasteira, e assim sucessivamente. Para este trabalho, usei a capoeira de Angola como base, e o mesmo eu farei no futuro com Deficientes Visuais.

Acredito que muitos são os professores e mestres que gostariam de experimentar esse tipo de trabalho, mas não pode ficar de braços cruzados esperando o aluno deficiente chegar na sua academia. Além disso, alguns pensam que poderá ter nesses alunos uma boa fonte de renda. Quem pensar assim está enganado, o que acontece é que a maioria das pessoas portadoras de necessidades especiais tem uma condição financeira reduzida. Outro grande problema é que muitos deficientes se autodiscrimina, entretanto, necessita-se de pessoas para orientar esses futuros alunos, e mostrar-lhes que eles são capazes. Isso é uma questão de amor e solidariedade, muitos deficientes não querem caridade, eles querem uma oportunidade de ter os mesmo direitos, de freqüentarem os mesmo lugares, e porque não, jogar capoeira.

Agora, passamos a ter uma outra visão da capoeira, pois ela vai muito mais longe do que pensamos. Ao invés de nos preocuparmos em ser os melhores dentro da roda, temos que ter consciência e serenidade que precisamos ser melhor fora da roda. Temos que ser melhor em nossas atitudes, nossa didática, nossa amizade, no modo de viver. Encontraremos nos deficientes um braço amigo que em sua grande maioria não te puxa para lhe derrubar, mas mesmo que tenha apenas um toco de braço ele irá te empurrar para te levantar. Lembre-se que você já o levantou, quando tirou ele do casulo em que vivia, na depressão e abandono.

Portanto, esta oportunidade de criar uma coluna direcionada para a capoeira adaptada, vai abrir um grande leque. A capoeira precisa ser mais humana, temos que mostrar a capoeira na sua exência, e o Portal Capoeira passa a proporcionar isso. Podemos utilizar este espaço para realização de algumas entrevistas com professores e mestres que realizam este trabalho e publicando matérias relevantes, e abrindo espaços aos próprios capoeiristas.
Mas, retornando ao tema principal “Capoeira Inclusão”, o mais importante de tudo, não é termos alunos com necessidades especiais, mas sim, de fazer com que alunos com necessidades especiais, possam estar jogando na mesma roda que os homens, que as mulheres, que as crianças e que os velhinhos jogam capoeira.

Para finalizar vou usar as palavras de Pastinha, “... o conhecimento é inconcebível até mesmo para o mais sábio dos homens”, por isso temos que tentar conhecermos um pouco mais sobre esse outro lado da capoeira, deixando para traz as disputas, intolerância e vaidade, temos que pensar na capoeira como um todo. Por ultimo uma frase de Mestre Toni-Vargas, feita no momento em que meu aluno recebeu a sua primeira corda. Esta frase serve para refletirmos por muito tempo, disse o sábio mestre: “A Capoeira, não tem fronteira, o professor jogando em pé e o aluno sentado na cadeira.”

A capoeira é de todos ....
Axé Câmara!!!

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Fernando Cássio Orso Alves
Monitor Atrazado
ferjeba@hotmail.comEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo
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Comentários(5) Adicionar comentário
Postado por: cristiana garcia, em: 27-06-2007 20:23, IP 201.19.82.158, Visitante
1. evento artístico no ParaPan
Olá
Meu nome é Cristiana e estou fazendo contatos para conhecer grupos artísticos que desenvolvam trabalho com deficientes.
Queria muito falar com vcs sobre o grupo de capoeira com deficientes - Capoeira sem fronteiras.
Por favor, me passe um telefone e email para que possamos conversar
obrigada
Kiki


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Postado por: Visitante, em: 23-03-2007 03:09, IP 72.8.78.54, Visitante
2. GRUPO VADIAR CAPOEIRA
Sou professor de Capoeira e atualmente tenho um trabalho com capoeira aqui no exterior nos EUA, achei otimo o assunto do meu amigo capoeirista sobre capoeira inclusao. Muito bom, obrigado por esse conhecimento.
Muito axe, e sucesso no seu trabalho.


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Postado por: Visitante, em: 30-11-2006 00:46, IP 201.4.75.158, Visitante
3. Parabéns
É bom saber que já se tem alguém priorisando a divugão do trabalho com deficientes.


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Postado por: Visitante, em: 21-02-2006 14:49, IP 201.24.67.95, Visitante
4. O prazer de esta aqui....
Muito obrigado professor Luciano Milani, saiba que o prazer de estar fazendo parte desse seu site é tão grande quanto o fato de trabalhar com pessoas deficientes.

Em breve muitos outros entrarão para esse time.

Axé


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Postado por: lmilani, em: 21-02-2006 13:47, IP 213.13.204.41, Visitante
5. Bem Vindo Camarada...
Fernando é um prazer te-lo em nosso time, chega prá ca meu camarada... e sinta-se em casa!!!

temos muito trabalho pela frente...

Axé!

Luciano Milani


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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Zumbi

Zumbi


Com as invasões holandesas (1624-1630), as fazendas e engenhos do Nordeste sofrem uma certa desorganização temporária, dada a atenção desviada dos senhores e governantes para a expulsão dos invasores, diminuindo por certo período, em conseqüências desse fato, a rigidez exercidas até então sobre o escravo.

Sedento para livrar-se do sofrimento, e aproveitando-se do incidente das invasões holandesas, os negros vêem chegar a grande possibilidade da fuga, escapulindo em massa para matas e agrestes nordestinos, formando os quilombos, sendo o Quilombo dos Palmares um dos mais importantes, sede maior de todos os outros redutos de negros fugitivos.

Líder dos revoltosos no Quilombo dos Palmares, Zumbi, ainda hoje, é símbolo de liberdade para os negros brasileiros e para os amantes dos ideais de justiça e igualdade social. Desse grande guerreiro, herdamos o respeito pela determinação, coragem e dignidade da raça negra. Descendente dos guerreiros imbangalas ou jagas, de Angola, Zumbi nasceu provavelmente em 1655, em um dos mocambos do quilombo.

Com poucos dias de vida foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e dado ao padre Antônio Melo em Porto Calvo. O padre criou o menino, batizando-o como Francisco. Com a educação recebida, aos 10 anos já sabia latim e português e aos 12 anos era coroinha. Em uma carta, o padre refere-se ao menino como dono de um “engenho jamais imaginado na sua raça e que bem poucas vezes encontrara em brancos.”
Aos quinze anos, o jovem Francisco, à procura de liberdade, foge das garras do padre Melo e retorna ao quilombo onde nasceu. Em Palmares, Francisco, o escravo foragido, recebe o nome de Zumbi e uma grande missão: defender o quilombo. Zumbi se aperfeiçoa nas chamadas lutas negras e em estratégias de ataque e defesa, conquistando a admiração e o respeito de todos no quilombo.

Os quilombos eram construídos por mocambos, grupamentos de choupanas que possuíam seu próprio líder. Pela sua descendência e valentia, Zumbi logo se torna líder de mocambo. Com um filho assassinado e outros dois aprisionados, Ganga Zumba, em 1678, o rei de Palmares faz um acordo de paz com os portugueses. Mas Zumbi não concorda com isso. Juntamente com seu irmão Andalaquituche, Zumbi se propõe a libertar todos os escravos, acolhendo os fugitivos de Ganga Zumba em seu mocambo.

Ganga Zumba morre envenenado e Zumbi torna-se o novo rei do quilombo de Palmares. Depois de constantes derrotas, até os brancos passam a respeitar Zumbi, chamando-o de capitão. Em 1694, foi atacado pelas tropas lideradas por Domingos Jorge Velho. Nesse episódio, caiu em um desfiladeiro, baleado duplamente. Essa queda favoreceu a criação do mito do herói que se suicidou para evitar a reescravização. Entretanto, em 1695, Zumbi voltou a atacar povoados em Pernambuco, mostrando que não havia morrido.

Traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo de Zumbi, o qual foi morto em 20 de novembro de 1695 (Dia da Consciência Negra). A cabeça de Zumbi foi decepada e levada para Recife e pendurada em local público até a total decomposição. O Quilombo dos Palmares foi destruído tendo sido o berço da Capoeira e foi o quilombo que reuniu o maior número de pessoas, cerca de 25 mil. Zumbi morre, mas seu exemplo permanece vivo, tornando-o símbolo da luta pela emancipação da raça negra.

MESTRE WALDEMAR DA PAIXÃO

MESTRE WALDEMAR DA PAIXÃO

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Na vadiação,
a capoeira se juntou com o berimbau

P'ra festejar a aliança
DA PAIXÃO, Waldemar
pintou o arco musical

(ah! essa negra mania baiana
de tudo enfeitar
de tudo misturar)!

de repente, assim:
a cor e o som
cabaça
em suas mãos

Odora!

O berimbau se transformou
no arco-íris musical.

Texto: Fred Abreu



Mestre Waldemar. Da Paixão, da Liberdade, da Avenida Peixe, capoeirista conhecido pelos seus berimbaus coloridos e por sua voz inconfundível. Iniciou na capoeira com 20 anos de idade, em 1936, foi aluno de Canário Pardo, Periperi, Talabi, Siri de Mangue e Ricardo de Ilha de Maré. Começou a ensinar capoeira em 1940, na Estrada da Liberdade, no inicio era ao ar livre e depois passou para um barracão de palha que ele mesmo construiu. O local virou ponto de encontro dos capoeiristas baianos, e aos poucos a roda de mestre Waldemar foi se tornando muito famosa e todos os capoeiristas da Bahia iam lá jogar. No livro Bahia: imagens da terra e do povo, publicado em 1964, Odorico Tavares assim descreve uma roda de Waldemar no Domingo a tarde, no Corta Braço, na Estrada das Boiadas, destacando a qualidade do mestre como cantador: "Com os tocadores ao seu lado o mestre levanta a voz, iniciando o canto. Os jogadores, em número de dois, estão de cócoras, à sua frente. É lenta a toada que o mestre canta , como solista e já os capoeiristas acompanham-no em movimentos mais lentos ainda, como cobras que começam a mover-se: olhe o visitante atentamente, como aqueles homens nem ossos tivessem, seus membros parecem que recebem um impulso quase insensível, de dentro para fora.(...) Os homens não se tocam para defesa e ataques que se sucedem em imprevistos de segundos. Ë um milagres em que a violência de um ataque resulte em outro ataque, em que ninguém se toca, ninguém se fere, ninguém se agride. É combate, é baile que dura horas."(p. 177-178)

Mestre Waldemar sempre procurou um bom convívio com todos os capoeiristas recebendo todos em seu barracão com muito respeito e também sendo muito respeitado. O seu reconhecimento com mestre evitava conflitos provocados pelos chamados 'valentões'. Sobre esses conflitos Waldemar nos conta: "Barulho eu nunca tive com ninguém, porque eu sempre fui respeitado, nunca ninguém me desafiou. Se me desafiava para jogar, mestre que aparecia aqui, a minha cabeça resolvia.(...) Me respeitavam muito os meus alunos. E não tinha barulho, porque eu olhava para eles assim, eles vinha pro pé de mim e ninguém brigava."

O canto e o toque de berimbau não eram suas única habilidades o mestre também era um exímio jogador de capoeira. Ele relembra: "Quando eu jogava, eu dizia: toque uma angola dobrada. É um por dentro do outro, passando, armando tesoura, se arriando todo. Parece que eu tô vendo eu jogar. Eu joguei muito.(...) Eu gostava de jogar lento, pra saber o que faço. Pelo meu canto você tira. Eu canto pra qualquer um menino desse jogar, e ele jogo sem defeito. Para os meus alunos eu digo que vou cantar e eles já sabem o que eu quero: são bento pequeno. É o primeiro toque meu. Para o outro tocador eu digo : 'de cima para baixo', e ele sabe que é são bento grande. Para viola eu digo: 'repique', e ele bota a viola pra chorar."

Mestre Waldemar conta que no seu tempo, e nas suas aulas a capoeira era ensinada na roda, mas que também havia os dias de treino. "Eles jogavam e eu fazia sinal pra fazer tesoura, fazia sinal pra chibatear, fazia sinal pro outro abaixar. "



BIBLIOGRAFIA:

Revista Capoeira - Autor: Luís Renato

Estudo Sobre os Toques do Berimbau

O berimbau é um instrumento que foi adotado pelos capoeiristas como o principal regente da orquestra da capoeira. Antigamente o atabaque era quem ditava o ritmo.
Estamos pesquisando os toques abaixo relacionados procurando associá-los ao jogo correspondente conforme descrição de Mestres, através de literaturas aqui citadas, (ver bibliografia) bem como através de entrevistas.





ANGOLA- Toque lento e cadenciado. Serve para jogo rente ao chão, lento e malicioso (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).

BANGUELA- Jogo de dentro com faca - segundo Carybé em citação de Nestor Capoeira no livro: Os fundamentos da Malícia, ed. Record, pág. 119.

SÃO BENTO PEQUENO - Também chamado de "ANGOLA INVERTIDA" - Toque para um jogo amistoso, muito técnico (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 04).

SÃO BENTO GRANDE DE ANGOLA -

SANTA MARIA -

APANHA LARANJA NO CHÃO TICO-TICO - toque para o jogo de apresentação em que os capoeiristas apanham dinheiro no chão com a boca (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07).

AVISO - Toque para denunciar a presença do senhor de engenho, capitão do mato ou capataz (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º. 02, pág. 07). Segundo dizem os capoeiristas mais antigos, servia para avisar aos escravos da presença do feitor ou capitão-do-mato (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

CAVALARIA - toque que imita o trotar do cavalo, avisando que há polícia nas proximidades. Esse toque foi criado por volta de 1920 para avisar a chegada da cavalaria de "Pedrito", um temido delegado de polícia que perseguia os capoeiristas (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07). Antigamente servia para avisar aos capoeiristas, da presença da Cavalaria da Guarda Nacional (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).



Capoeira Regional


Os toques de Regional inicialmente eram acompanhados por uma bateria inconstante que se apresentava de acordo com a decisão do Mestre Bimba, podendo conter um, dois ou três berimbaus. Tempos depois por sugestão de Decânio, a charanga resumiu-se a um berimbau e dois pandeiros.

AMAZONAS - criação de Bimba, era dificílimo de acompanhar tal a riqueza de ritmos, a sutileza das variações melódicas; poucos capoeiristas conseguiam obedecer aos seus comandos, mais raros ainda os que conseguiam executá-lo no berimbau.

Amazonas é um toque festivo para saudar mestres e visitantes. É chamado de hino da capoeira (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).

BANGUELINHA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.

BANGUELA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.

Benguela - Toque para jogo compassado, curtido, malicioso e floreado (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).

CAVALARIA - Jogo duro, pesado, violento.

IDALINA - jogo alto, solto, manhoso, rico em movimentos.

Idalina - Apresentação de jogo com facas, facões, porretes (Revista Universo Capoeira, ano I, n.º 03, agosto/99).

Idalina - Toque para jogo de navalha (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).

IÚNA -Jogo baixo, manhoso, sagaz, ardiloso, coreográfico, exibicionista; retorno ao estado lúdico.

Iúna - Só para formados e mestres com movimentos de balões (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).

SANTA MARIA - Toque simples, porém rápido; permite jogo solto e alto aceitando bastante floreio.

Santa Maria - Jogo com navalhas (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).

SÃO BENTO GRANDE DE REGIONAL - Jogo ao estilo regional: forte, rápido, mais para violência que para exibicionismo; viril sem perder a malícia.

SÃO BENTO PEQUENO DE REGIONAL - São Bento Grande às avessas; um jogo mais suave, corpo a corpo, aceitando mais deslocamentos e malícia.

NOTA: As explicações feitas aqui, dos toques que estão SUBLINHADOS e em ITÁLICO, referentes a Capoeira Regional foram retiradas do livro de Ângelo Decânio: A Herança de Mestre Bimba, págs. 183 e 184.