Zumbi
Com as invasões holandesas (1624-1630), as fazendas e engenhos do Nordeste sofrem uma certa desorganização temporária, dada a atenção desviada dos senhores e governantes para a expulsão dos invasores, diminuindo por certo período, em conseqüências desse fato, a rigidez exercidas até então sobre o escravo.
Sedento para livrar-se do sofrimento, e aproveitando-se do incidente das invasões holandesas, os negros vêem chegar a grande possibilidade da fuga, escapulindo em massa para matas e agrestes nordestinos, formando os quilombos, sendo o Quilombo dos Palmares um dos mais importantes, sede maior de todos os outros redutos de negros fugitivos.
Líder dos revoltosos no Quilombo dos Palmares, Zumbi, ainda hoje, é símbolo de liberdade para os negros brasileiros e para os amantes dos ideais de justiça e igualdade social. Desse grande guerreiro, herdamos o respeito pela determinação, coragem e dignidade da raça negra. Descendente dos guerreiros imbangalas ou jagas, de Angola, Zumbi nasceu provavelmente em 1655, em um dos mocambos do quilombo.
Com poucos dias de vida foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e dado ao padre Antônio Melo em Porto Calvo. O padre criou o menino, batizando-o como Francisco. Com a educação recebida, aos 10 anos já sabia latim e português e aos 12 anos era coroinha. Em uma carta, o padre refere-se ao menino como dono de um “engenho jamais imaginado na sua raça e que bem poucas vezes encontrara em brancos.”
Aos quinze anos, o jovem Francisco, à procura de liberdade, foge das garras do padre Melo e retorna ao quilombo onde nasceu. Em Palmares, Francisco, o escravo foragido, recebe o nome de Zumbi e uma grande missão: defender o quilombo. Zumbi se aperfeiçoa nas chamadas lutas negras e em estratégias de ataque e defesa, conquistando a admiração e o respeito de todos no quilombo.
Os quilombos eram construídos por mocambos, grupamentos de choupanas que possuíam seu próprio líder. Pela sua descendência e valentia, Zumbi logo se torna líder de mocambo. Com um filho assassinado e outros dois aprisionados, Ganga Zumba, em 1678, o rei de Palmares faz um acordo de paz com os portugueses. Mas Zumbi não concorda com isso. Juntamente com seu irmão Andalaquituche, Zumbi se propõe a libertar todos os escravos, acolhendo os fugitivos de Ganga Zumba em seu mocambo.
Ganga Zumba morre envenenado e Zumbi torna-se o novo rei do quilombo de Palmares. Depois de constantes derrotas, até os brancos passam a respeitar Zumbi, chamando-o de capitão. Em 1694, foi atacado pelas tropas lideradas por Domingos Jorge Velho. Nesse episódio, caiu em um desfiladeiro, baleado duplamente. Essa queda favoreceu a criação do mito do herói que se suicidou para evitar a reescravização. Entretanto, em 1695, Zumbi voltou a atacar povoados em Pernambuco, mostrando que não havia morrido.
Traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo de Zumbi, o qual foi morto em 20 de novembro de 1695 (Dia da Consciência Negra). A cabeça de Zumbi foi decepada e levada para Recife e pendurada em local público até a total decomposição. O Quilombo dos Palmares foi destruído tendo sido o berço da Capoeira e foi o quilombo que reuniu o maior número de pessoas, cerca de 25 mil. Zumbi morre, mas seu exemplo permanece vivo, tornando-o símbolo da luta pela emancipação da raça negra.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Zumbi
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MESTRE WALDEMAR DA PAIXÃO
MESTRE WALDEMAR DA PAIXÃO
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Na vadiação,
a capoeira se juntou com o berimbau
P'ra festejar a aliança
DA PAIXÃO, Waldemar
pintou o arco musical
(ah! essa negra mania baiana
de tudo enfeitar
de tudo misturar)!
de repente, assim:
a cor e o som
cabaça
em suas mãos
Odora!
O berimbau se transformou
no arco-íris musical.
Texto: Fred Abreu
Mestre Waldemar. Da Paixão, da Liberdade, da Avenida Peixe, capoeirista conhecido pelos seus berimbaus coloridos e por sua voz inconfundível. Iniciou na capoeira com 20 anos de idade, em 1936, foi aluno de Canário Pardo, Periperi, Talabi, Siri de Mangue e Ricardo de Ilha de Maré. Começou a ensinar capoeira em 1940, na Estrada da Liberdade, no inicio era ao ar livre e depois passou para um barracão de palha que ele mesmo construiu. O local virou ponto de encontro dos capoeiristas baianos, e aos poucos a roda de mestre Waldemar foi se tornando muito famosa e todos os capoeiristas da Bahia iam lá jogar. No livro Bahia: imagens da terra e do povo, publicado em 1964, Odorico Tavares assim descreve uma roda de Waldemar no Domingo a tarde, no Corta Braço, na Estrada das Boiadas, destacando a qualidade do mestre como cantador: "Com os tocadores ao seu lado o mestre levanta a voz, iniciando o canto. Os jogadores, em número de dois, estão de cócoras, à sua frente. É lenta a toada que o mestre canta , como solista e já os capoeiristas acompanham-no em movimentos mais lentos ainda, como cobras que começam a mover-se: olhe o visitante atentamente, como aqueles homens nem ossos tivessem, seus membros parecem que recebem um impulso quase insensível, de dentro para fora.(...) Os homens não se tocam para defesa e ataques que se sucedem em imprevistos de segundos. Ë um milagres em que a violência de um ataque resulte em outro ataque, em que ninguém se toca, ninguém se fere, ninguém se agride. É combate, é baile que dura horas."(p. 177-178)
Mestre Waldemar sempre procurou um bom convívio com todos os capoeiristas recebendo todos em seu barracão com muito respeito e também sendo muito respeitado. O seu reconhecimento com mestre evitava conflitos provocados pelos chamados 'valentões'. Sobre esses conflitos Waldemar nos conta: "Barulho eu nunca tive com ninguém, porque eu sempre fui respeitado, nunca ninguém me desafiou. Se me desafiava para jogar, mestre que aparecia aqui, a minha cabeça resolvia.(...) Me respeitavam muito os meus alunos. E não tinha barulho, porque eu olhava para eles assim, eles vinha pro pé de mim e ninguém brigava."
O canto e o toque de berimbau não eram suas única habilidades o mestre também era um exímio jogador de capoeira. Ele relembra: "Quando eu jogava, eu dizia: toque uma angola dobrada. É um por dentro do outro, passando, armando tesoura, se arriando todo. Parece que eu tô vendo eu jogar. Eu joguei muito.(...) Eu gostava de jogar lento, pra saber o que faço. Pelo meu canto você tira. Eu canto pra qualquer um menino desse jogar, e ele jogo sem defeito. Para os meus alunos eu digo que vou cantar e eles já sabem o que eu quero: são bento pequeno. É o primeiro toque meu. Para o outro tocador eu digo : 'de cima para baixo', e ele sabe que é são bento grande. Para viola eu digo: 'repique', e ele bota a viola pra chorar."
Mestre Waldemar conta que no seu tempo, e nas suas aulas a capoeira era ensinada na roda, mas que também havia os dias de treino. "Eles jogavam e eu fazia sinal pra fazer tesoura, fazia sinal pra chibatear, fazia sinal pro outro abaixar. "
BIBLIOGRAFIA:
Revista Capoeira - Autor: Luís Renato
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Estudo Sobre os Toques do Berimbau
O berimbau é um instrumento que foi adotado pelos capoeiristas como o principal regente da orquestra da capoeira. Antigamente o atabaque era quem ditava o ritmo.
Estamos pesquisando os toques abaixo relacionados procurando associá-los ao jogo correspondente conforme descrição de Mestres, através de literaturas aqui citadas, (ver bibliografia) bem como através de entrevistas.
ANGOLA- Toque lento e cadenciado. Serve para jogo rente ao chão, lento e malicioso (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).
BANGUELA- Jogo de dentro com faca - segundo Carybé em citação de Nestor Capoeira no livro: Os fundamentos da Malícia, ed. Record, pág. 119.
SÃO BENTO PEQUENO - Também chamado de "ANGOLA INVERTIDA" - Toque para um jogo amistoso, muito técnico (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 04).
SÃO BENTO GRANDE DE ANGOLA -
SANTA MARIA -
APANHA LARANJA NO CHÃO TICO-TICO - toque para o jogo de apresentação em que os capoeiristas apanham dinheiro no chão com a boca (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07).
AVISO - Toque para denunciar a presença do senhor de engenho, capitão do mato ou capataz (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º. 02, pág. 07). Segundo dizem os capoeiristas mais antigos, servia para avisar aos escravos da presença do feitor ou capitão-do-mato (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).
CAVALARIA - toque que imita o trotar do cavalo, avisando que há polícia nas proximidades. Esse toque foi criado por volta de 1920 para avisar a chegada da cavalaria de "Pedrito", um temido delegado de polícia que perseguia os capoeiristas (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07). Antigamente servia para avisar aos capoeiristas, da presença da Cavalaria da Guarda Nacional (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).
Capoeira Regional
Os toques de Regional inicialmente eram acompanhados por uma bateria inconstante que se apresentava de acordo com a decisão do Mestre Bimba, podendo conter um, dois ou três berimbaus. Tempos depois por sugestão de Decânio, a charanga resumiu-se a um berimbau e dois pandeiros.
AMAZONAS - criação de Bimba, era dificílimo de acompanhar tal a riqueza de ritmos, a sutileza das variações melódicas; poucos capoeiristas conseguiam obedecer aos seus comandos, mais raros ainda os que conseguiam executá-lo no berimbau.
Amazonas é um toque festivo para saudar mestres e visitantes. É chamado de hino da capoeira (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).
BANGUELINHA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.
BANGUELA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.
Benguela - Toque para jogo compassado, curtido, malicioso e floreado (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).
CAVALARIA - Jogo duro, pesado, violento.
IDALINA - jogo alto, solto, manhoso, rico em movimentos.
Idalina - Apresentação de jogo com facas, facões, porretes (Revista Universo Capoeira, ano I, n.º 03, agosto/99).
Idalina - Toque para jogo de navalha (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).
IÚNA -Jogo baixo, manhoso, sagaz, ardiloso, coreográfico, exibicionista; retorno ao estado lúdico.
Iúna - Só para formados e mestres com movimentos de balões (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).
SANTA MARIA - Toque simples, porém rápido; permite jogo solto e alto aceitando bastante floreio.
Santa Maria - Jogo com navalhas (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).
SÃO BENTO GRANDE DE REGIONAL - Jogo ao estilo regional: forte, rápido, mais para violência que para exibicionismo; viril sem perder a malícia.
SÃO BENTO PEQUENO DE REGIONAL - São Bento Grande às avessas; um jogo mais suave, corpo a corpo, aceitando mais deslocamentos e malícia.
NOTA: As explicações feitas aqui, dos toques que estão SUBLINHADOS e em ITÁLICO, referentes a Capoeira Regional foram retiradas do livro de Ângelo Decânio: A Herança de Mestre Bimba, págs. 183 e 184.
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
HOMENAGEM AO MESTRE CEARÁ PELO SUCESSO COM SEUS PROJETOS SOCIAS
Trago-te um recado de muita gente.
Houve gente que praticou uma boa ação,
Manda dizer-te que foi porque
Teu exemplo convenceu.
Houve alguém que venceu na vida,
E manda dizer-te que foi porque
Tuas lições permaneceram
E houve mais alguém que superou a dor,
E manda dizer-te que foi a lembrança
De tua coragem que ajudou.
Por isso que és importante...
O teu trabalho é o mais nobre,
De ti nasce a razão e o progresso.
A união e a harmonia de um povo!
E agora... Sorria!!
Esqueça o cansaço e a preocupação,
Porque há muita gente pedindo a Deus
Para que você seja muito Feliz!!!
Parabéns pelo seu trabalho de capoeira, pois nao foi facil, foram muitas barreiras, mais mesmo assim com esses obstaculos nao desistiu do seu sonho de ser um capoeira de verdade e temos muito orgulho de dizer que es nosso mestre.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
A CAPOEIRA COMO ATIVIDADE TERAPEUTA.NOVAS POSSIBILIDADES DE REABILITAÇÃO
Escrito por Acúrsio Esteves.
O Professor Acúrsio Esteves, nos envia esta importante matéria onde o autor da ênfase a importância da capoeira como ferramenta de inclusão social e arma de cidadania e reabilitação... Gostaria de deixar uma ressalva à importância dos trabalhos que diversos Mestres "educadores" vem desenvolvendo dentro desta abordagem: Capoeira na 3ª idade - Capoeira para deficientes - Capoeira Cidadã...
Luciano Milani
No final da década de 60, nos Estados Unidos, atividades artísticas começaram a ser aplicadas na recuperação de pessoas portadoras de necessidades especiais. A ONG Very Special Arts, por exemplo, trabalha no sentido de integrar essas pessoas ao mercado de trabalho valendo-se das técnicas artísticas. O principal elemento proporcionado por estas atividades e que, às vezes, não são encontrados no tratamento convencional, é a motivação. Sessões de Fisioterapia, que se prolongam por meses se forem conduzidas de forma mecânica e impessoal, como felizmente está deixando de acontecer, além de serem um tormento para estas pessoas, não irão despertar nelas satisfação no que fazem e, conseqüentemente, funcionará como um fator limitante para os seus progressos. A grande vantagem dessas formas alternativas é que o paciente não costuma vê-las como uma atividade terapêutica, mas como uma oportunidade lúdica, prazerosa, com uma gama incrível de possibilidades de auto-superação em que seus progressos são mais facilmente quantificáveis.
Nessas atividades também se insere a capoeira, pois ela é uma manifestação artística multifária que engloba, por conseguinte, em uma só atividade, elementos variados que não se encontram juntos em outra manifestação artística. Ela trabalha a sensibilidade, o intelecto e a afetividade através do mais importante referencial de vida do ser humano: o seu corpo. Em relação ao desenvolvimento motor, ela sugere movimentos que alternam alongamento, contração, relaxamento e explosão (força x velocidade). Esses movimentos influenciam no tratamento regulando o tônus muscular, melhorando diretamente o equilíbrio dinâmico e recuperando indiretamente o equilíbrio estático; vão deixar em estado de alerta os sistemas de proteção, ajudando na prevenção de acidentes como quedas e diminuindo as atividades exacerbadas dos hipercinéticos. Ela auxilia também na percepção tempo espacial dos deficientes visuais, ajudando no desenvolvimento dos seus sentidos remanescentes, diminuindo o nível de agressividade de portadores de alguns problemas mentais, permitindo assim uma melhora significativa na qualidade de vida e do desenvolvimento físico. Além dessas, muitas outras vantagens poderiam ser citadas.
Cada movimento realizado, cada limitação superada, cada novo aprendizado assimilado e cada etapa atingida e vencida representam uma vitória tamanha e um grau de satisfação tão grande para estas pessoas que talvez nós, “perfeitos”, não tenhamos a capacidade de sentir. Por outro lado, cada dificuldade apresentada, cada obstáculo a ser vencido, representa o desafio da auto-superação e sugere tenacidade e autodeterminação.
Sob outra ótica, a possibilidade de cantarem, tocarem um ou vários instrumentos, superarem limites físicos através de movimentos que estimulam a sua coordenação psicomotora, conhecerem com mais proximidade outras pessoas com graus diferentes de limitações ou normais, ajudá-las e por elas serem ajudados e conhecerem a história dos seus ancestrais, dentre outras possibilidades culturais é o cardápio oferecido em uma única atividade. As possibilidades de realização de pesquisas históricas relativas à capoeira e manifestações correlatas² podem contribuir para elas se expressarem através da escrita e incentivar o gosto pela leitura. O registro gráfico dos seus símbolos, sob a forma de desenhos através das suas diferentes técnicas, favorece também a expressão artística da pintura. Sendo assim, como parte de uma equipe multidisciplinar, o profissional de capoeira, contribui de forma significativa para o tratamento de inúmeras deficiências, pois a referida atividade ajuda na inclusão social, no exercício da cidadania, aumenta ou desperta a auto-estima, aviva o espírito e enleva a alma. Ela é uma importante aliada aos procedimentos tradicionais adotados pela Fisioterapia, Terapia Ocupacional e pela Medicina. Nessa perspectiva, o trabalho realizado pela Associação Cultural Corrente Libertadora é um bom exemplo de como essa proposta é viável. A Associação foi criada em 1976 pelos irmãos Maurício, Eufradísio, Eufrásio (Tigrão) e Magnólia; baianos de Floresta Azul, radicados no estado de São Paulo. Eles têm ainda o apoio da psicóloga Laura Maria Jorge Carvalho e mais 24 instrutores formando o seu grupo de trabalho, segundo matéria assinada por Letícia C. De Carvalho publicada na revista especializada Praticando Capoeira, ano 1 nº. 3.
O desenvolvimento do ensino da capoeira para este tipo especial de aluno exige uma atenção redobrada do professor. Para um melhor desenvolvimento da proposta, além de dever trabalhar com um número suficiente de auxiliares, é aconselhável que ele se qualifique bem através de cursos que sugerem a inclusão, geralmente dados por instituições públicas ou organizações do tipo APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), para poder prestarem um melhor atendimento. A reabilitação nessa área geralmente é muito dispendiosa para os pais, por isso uma atividade lúdica, que possa acelerar o processo, vem dar uma contribuição importante também para se reduzir significativamente os gastos com o tratamento.Faz-se necessário que a sociedade dispa-se dos seus preconceitos e aprenda como as crianças a aceitar as diferenças como algo normal, e que estas diferenças, devam servir para aproximar, ao invés de separar as pessoas. Nessa perspectiva, sugiro a composição de turmas mistas quanto ao sexo, graus de dificuldades e necessidades especiais em diferentes níveis, bem como a necessária presença de outros alunos que não as tenham.* O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu, respectivamente nos cursos de Educação Física e Turismo, sendo também autor dos livros Pedagogia do Brincar e A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento, de onde foi retirado este fragmento de capitulo. Aqui registramos a colaboração do colega Antônio Luiz Ferreira Bahia, professor de Educação Física do Instituto de Cegos da Bahia e da colega fisioterapeuta Maria da Conceição Souza.
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ENTREVISTA DA JORNAL MUNDO CAPOEIRA COM O MESTRE CEARÁ
Entrevista com Mestre Ceará
Foto: Acervo Mestre Ceará
Jornal Mundo Capoeira: fale sobre seu inicio na capoeira:
Francisco Aloisio Teixeira Filho, nascido em 31-07-1971-solteiro filho de Francisco Aloisio Teixeira e de Maria do Carmo Mendonça natural de BELÉM-PARÁ, meu inicio foi em em fortaleza no bairro nova Assunção nos meiados dos anos oitenta, na época quém me ensinava era o Professor Cleilson, depois ele filiou-se ao mestre jair grupo do marabaiano com quem me formei em 1993, depois, passei a fazer parte do grupo muzenza e recebe a corda de contra mestre em curitiba em 1996 pelo mestre Burguês , no segunda curitiba open de capoeira. 2001 eu passei a fazer parte da PASSEI A FAZER PARTE DA FUNDAÇÃO INTERNACIONAL CAPOEIRA ARTES DAS GERAIS DO MESTRE MUSEU POR QUEM FUI FORMADO A MESTRE, HOJE TENHO MEU PRÓPRIO TRABALHO A CIA CAPOEIRA VOLTA AO MUNDO..
Jornal Mundo Capoeira: por qual motivo você escolheu a capoeira?
Entrei na capoeira para fazer fisioterapia, eu não tinha dinheiro para pagar um fisioterapeuta, aos dois anos eu tive paralisia infantil e não andava e a capoeira e DEUS foi quem me curou.
Jornal Mundo Capoeira:porque o apelido ceará?
Ganhei em curitiba, quem me deu esse apelido foi o Mestre Burguês, a quem eu devo tudo que eu sou na capoeira, e sempre terei orgulho de dizer que ele me ensinou e me apresentou para vários mestres de renome a família muzenza me ajudou na trajetória e nunca vou esquecer.
Jornal Mundo Capoeira: O que a capoeira representa em sua vida?
Ela é a minha vida, ela é quem me dar prazer, agradeço a Deus primeiro por ter conhecido ela, por isso eu sou movido pela capoeira, eu sou movido pelo berimbau, ela se encantou comigo e eu me encantei com ela, ela é razão do meu viver
Jornal Mundo Capoeira: Um momento que marcou sua vida na capoeira?
O momento que marcou a minha vida foi quando eu comecei a trabalhar com deficientes visuais e comecei ser valorizados pelo meu trabalho.
Jornal Mundo Capoeira: Fale um pouco sobre seu trabalho em BH:
O trabalho que venho desenvolvendo em Belo Horizonte, é um trabalho novo em escolas, são projetos sócias e em comunidades carentes para os alunos participarem das aulas tem que ter disciplina e boas notas.
Jornal Mundo Capoeira: Fale um pouco sobre sobre seu projeto social, com crianças carentes:
Venho desenvolvendo um projeto social em escolas ,clubes, quartéis e associações, aqui em Belo Horizonte-MG , atendo cerca de 500 crianças temos um projeto em 6 estados, tenho um orgulho muito grande pois eu tenho uma equipe de professores que trabalham em prol da capoeira e com a mesmo ideal.
Jornal Mundo Capoeira: Como descreveria o papel do mestre de capoeira?
Na minha opinião eu acho que o mestre de capoeira tem que ser o segundo ou primeiro pai do aluno, por isso ele tem que dar exemplo, para que seus alunos possa segui-los.
Jornal Mundo Capoeira: Agradecimento em especial:
Agradecer a DEUS, por ter me dado essa oportunidade de ser capoeirista, aos mestres que contribuirão para meu sucesso em especial o mestre museu que estar me ensinando muita, dentro e fora da capoeira , não posso esquecer dos meios de comunicações que vem contribuindo muito para o sucesso da nossa capoeira no MUNDO, entre eles estar o Jornal Mundo Capoeira que veio para ajudar e reforçar os capoeiristas estão de parabéns, não posso esquecer da revista praticando capoeira que também sempre ajuda muitos os capoieristas e sinpatizantes.
jornal mundo capoeira: deixei Sua mensagem aos capoeristas.
a capoeira é uma arte muito bela e que todos devemos cultivar e preservar com muito carinho, ela mostra o certo e o errado, lhe apresenta muitas pessoas e lhe leva a onde você nunca imaginaria que poderia estar, prático capoeira a mais de 20 anos e eu lhe digo que o golpe mais forte do capoeirista é a humildade, e quem não tem não chegará a lugar nenhum, eu e todos da cia capoeira volta ao mundo desejamos muita paz e união para todos capoeiritas, pois só assim agente chega a algum lugar.
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CIA VOLTA AO MUNDO DE SANTA CATARINA- MESTRE CEARÁ E EQUIPE
Mestre Ceará e sua turma em SC.
Turma do Mestre CEARÁ em Chapecó - CIA VOLTA AO MUNDO.
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Domingo, 15 de Julho de 2007
capoeira na net...
CURSO DE CAPOEIRA MESTRE CEARÁ EM XAXIM-SC
O curso de Capoeira promovido pela Escola Comunidade Brasil, na cidade de Xaxim, SC, foi ministrado pelo Mestre Ceará, professores e graduados da CIA CAPOEIRA VOLTA AO MUNDO. O número de participantes foi um dos mais representativos, contando com a presença de crianças, adolescentes e adultos. O apoio institucional da prefeitura deste município foi fundamental; representantes da cultura e do esporte tornaram o curso um belíssimo encontro de capoeiristas. Mestre Ceará ensinou capoeira dando ênfase na construção da cidadania, levando sempre em consideração os portadores de necessidades especiais e valorizando a participação infantil nesta arte. Foram abordados temas como: maculelê, samba de roda, táticas de jogo, acrobacias e esquivas.
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Encontro Brasileiro de Capoeira
em Curitiba PR
A escola de Capoeira Comunidade Brasil, de SC, marcou presença no evento realizado em Curitiba com a supervisão de Mestre Ceará. Capoeiristas de diversos estados, incluindo Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Ceará, realizado neste dia 15 de julho, um encontro de aprendizado e muito jogo. A participação de Mestre Sergipe engrandeceu o evento. Na programação estavam contidos um aulão aberto pela parte da manhã, batizado e roda na parte da tarde. A EQUIPE DA CIA VOLTA AO MUNDO-SC foi representadas pelo professor Cascata, graduados Babuíno, Onix, Arame, e alunos; também fez parte do coletivo o graduado Aritana do grupo Beribazu... Um dialogo aberto acerca da prática da Capoeira com o Mestre Sergipe e Mestre Ceará para com todos os participantes: foi a capoeira do oeste catarinense.
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IMÁGENS... Mestre Ceará, Mestre Sergipe e Babuíno. Professor Cascata no aulão da Comunidade
Professor Cascata no samba de roda Aula de maculelê ministrada pelo Mestre Ceará______________________________________________________________________
CAPOEIRA: Na volta que o mundo deu Patrimônio cultural brasileiro, a Capoeira, ou o ato de capoeiragem, vem se desenvolvendo ao longo de séculos. Não é possível conhecer a história de nosso país, desde a colonização portuguesa até esta requintada colonização econômica que vivenciamos hoje, sem levarmos em consideração as práticas afro-indíginas. Conforme trabalho científico editado pela universidade de Coimbra, a “Capoeira é algo singular; é um mundo ímpar onde a expressão cultural é a vida em sua mais profunda manifestação”.Trabalhos acadêmicos de diversas ordens e de diversas partes do globo tem descrito de forma muito clara aquilo que vivenciamos diariamente. O espetáculo de um jogo, uma arte, uma luta e uma dança; ou, para sintetizar as múltiplas definições: a livre expressão que contribuiu para o desenvolvimento do Brasil, independentemente das moedas e suas cotações.A prática da Capoeira, sendo singular manifestação de um povo, possui ramificações que fazem desta um emaranhado cultural. Sua especificidade enquanto arte marcial (entre outras definições) deve-se ao fato de ser conduzida por um ritmo melódico; os praticantes, no embalo de cadências sonoras, possuem um mundo próprio simbolizado no círculo a que chamam de “roda de Capoeira”. E é esse mundo do capoeirista que abordaremos neste ensaio, enfatizando sempre, a diversidade terminológica e o sentido conceitual contemporâneo da Capoeira.
Graduado BABUÍNO, Chapecó - SC.
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Falando de Capoeira
Uma das grandes dificuldades de permanência de novos alunos nesta área de conhecimento é decorrente das falácias que estigmatizam o cotidiano das rodas de Capoeira. A afirmação nada verdadeira de que o praticante deve entrar na roda e assumir um desafio a qualquer preço, não passa de mentira induzido por um aspecto de violência e falta de consideração pela prática cultural. Aprender Capoeira significa entrar em um mundo de conhecimento vasto e quase isento de limites; todavia, não podemos confundir-nos e deixar propagar a idéia, de que o praticante de Capoeira hoje é uma pessoa que luta por sua vida dentro de uma roda: não estamos mais no período colonial, onde o negro, a cada instante, poderia investir em uma luta física para manutenção de sua vida. O capoeirista contemporâneo, usufrui desta arte e até mesmo desta luta, com um caráter de propagador cultural; um atleta; um músico; um dançarino; um agitador cultural. Porém, jamais utiliza-se da Capoeira para a resolução de questões que dizem respeito somente a um código de leis estabelecido e consagrado. É necessário, não apenas para o capoeirista, mas para o cidadão brasileiro, entender e propagar a idéia de que a Capoeira é, acima de muito, uma arte secular, e, que seu desenvolvimento positivo depende de sua utilização; o primeiro passo neste caso é não confundir e não defini-la erroneamente: conceitualiza-la por analogia é algo que precisa ser interrompido. Ou propomos uma nova definição, ou tomamos todos os cuidados para defini-la segundo uma tradição; ai, portanto, requer minimamente um conhecimento histórico filosófico acerca destas questões, o que impossibilita qualquer praticante iniciante de criar conclusões precipitadas. A roda de Capoeira não é uma arena onde se aposta a vida. Os praticantes podem muito bem, e além de poder eles devem, prezar por sua integridade física e psicológica como pessoas livres que usufruem de todos os direitos concernidos aos cidadãos. Aceitar desafios que coloquem em risco sua saúde, ou seja, ter relações de jogo com pessoas que possam lhe causar lesões físicas, seria algo aceitável somente por praticantes com algum distúrbio mental. Neste caso, qualquer capoeirista de sã consciência agirá segundo regras que lhes garantam um integridade e isentem-no de todas as ações que possam vir a atravancar-lhe o desenvolvimento singular de conhecedor e praticante desta arte. Para sintetizar o exposto, seguimos a esteira de Vicente Ferreira Pastinha, um dos grandes nomes da Capoeira. A violência nas rodas é puro pretexto para uma comunidade voltada ao ato do consumismo. O bom lutador, segundo este insigne mestre, é aquele que mostra que poderia se apoderar fisicamente de seu oponente, mas, que faz-se vencedor apenas dando a conhecer pelo vencido através de um movimento corporal. Ou seja, mostrar que poderia bater mas que não o fez apenas para garantir a saúde e o respeito a seu oponente. O bom praticante de Capoeira sabe que, mais que um oponente em uma roda, ele tem um 'camarada'; alguém com quem pode cantar, tocar instrumento, usar de malandragem. É visível que existe uma impossibilidade de compartilhar todas estas questões de entretenimento, como dito, de dança, música, malandragem, e, no final, da brincadeira e do jogo, agredir outra pessoa causando hematomas em sinal de imposição de poder. Já vivemos saturados e sufocados pela micro-física quase invisível do poder. A roda da Capoeira não necessita desta relação atrofiadora que está assolando grande parte de seus praticantes. Um dos argumentos mais pejorativos neste mundo encantado da Capoeira é de que o Capoeirista é um lutador como qualquer outro praticante de arte marcial oriental. Nada disso. A Capoeira é singular; tem um caráter de desenvolvimento social que a diferencia e projeta-a longe das outras: a roda de Capoeira não é uma luta assumida, como as lutas orientais, onde, pré-estabelecidamente, cada um dos praticantes sabe qual é sua finalidade. Com a Capoeira é diferente. O praticante tem intuito fundamental de diversão, aprendizagem e exposição de malandragem. Isso tudo deixa claro que a questão da luta não está em primeiro plano em uma roda. Um aprofundado estudo antropológico poderia provar o contrário. Todavia, o que se tem de material publicado, apenas reforça o seguinte enunciado: o capoeirista usava de suas técnicas corporais, ao longo de sua história de libertação, para com outras pessoas, alheios a seus movimentos. O próprio ingresso de mestre Pastinha na capoeira se deu dessa forma. Ensinaram-lhe Capoeira para defender-se dos ataques de um menino que não entendia da arte. Assim, a questão da luta da Capoeira pode ser resumida no confronto entre duas pessoas, em que, uma ou até mesmo ambas fazem uso de técnicas utilizadas na pratica da Capoeira, independentemente de uma roda ou de música. Qualquer pessoa, conhecendo arte marcial ou não, pode fazer uso de seu corpo para agredir ou defender-se de agressões, montando assim, uma seqüência de movimento que podem ser entendidos como “luta”. A arte da Capoeira está além disso.O capoeirista esta munido de técnicas corporais que lhe permitem utiliza-la na forma de luta, mas, somente o fará, se for de sua vontade, e jamais por determinação desta. A defesa pessoal é fundamental para qualquer cidadão. E a prática da Capoeira sem dúvida contribui para isso, munindo o praticante com golpes mirabolantes e perigosos no contato com outras pessoas; mas isso não justifica a ação violenta e pejorativa da pessoa que se intitula lutador de Capoeira para com membros da sociedade em geral. Sempre podemos ser bons lutadores, jogadores ou simplesmente cidadãos, sem precisar faltar com respeito nem causar lesões a outros; saber utilizar a luta na hora certa, da dança e do jogo em locais e hora própria é ter a certeza de contribuir para o livre desenvolvimento de nossa filosofia de vida, de nossa Capoeira.
Professor Cascata, Chapecó - SC.
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MESTRE CEARÁ
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